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Santa Leopoldina na História Cerveja 21/07/2006 -http://macroje.blogspot.com/ Mesmo com o verão já tendo ido embora a tempos, é difícil pensar que exista outra situação em que essa bebida combine tão bem como a tríade sol, férias, praia, que faz do brasileiro um dos maiores consumidores de cerveja do mundo. A história da cerveja é muito rica e sua importância vai muito além da refrescância do verão brasileiro. Muitos beberrões de hoje seriam eternamente felizes na pré-história, quando era mais recomendável tomar um barril de cerveja do que um copo d'água. Fácil de explicar: A cerveja era mais segura para beber do que a água, que se contaminava facilmente com os resíduos humanos, que não tinham os hábitos sanitários de hoje. Nesta época a cerveja fornecia uma das formas mais seguras de nutrição líquida, pois é livre de microorganismos patogênicos, que não sobrevivem nela. Segundo o professor Paul Haupt, da Universidade de Virgínia, em 1926, traduzindo uma tábua cuneiforme assíria encontrada nas ruínas de Nínive, parte do carregamento da Arca de Noé era cerveja. No Brasil a cerveja demorou a chegar, pois os portugueses temiam perder o filão da venda de seus vinhos. A cerveja chegou ao Brasil em 1808 trazida pela família real portuguesa de mudança para o então Brasil colônia. Consta que o rei Dom João VI, apreciador inveterado de cerveja, não podia ficar sem consumir a bebida. Antes que o leitor abra a primeira latinha ou encha o primeiro copo do dia, gostaria de lembrar aos apreciadores contumazes os pioneiros que introduziram esta popular bebida em nosso estado. O italiano André Modenese, nascido em Modena, Itália, e imigrado para o Brasil em 1886, foi o primeiro fabricante de cerveja que se tem notícia no Espírito Santo. Abriu, em 1890, uma fábrica de cerveja na localidade de Pau Gigante, hoje município de Ibiraçu. Sete anos mais tarde, um visionário de inteligência e visão além do seu tempo, de nome Norbert Van Der Kamp, natural de Calcar, na então Renânia, atual Estado Federal mais populoso da Alemanha, cuja capital é Dusseldorf, inaugura em Santa Leopoldina, uma cervejaria de porte e capacidade de produção compatíveis com aquele que era o maior e mais desenvolvido empório comercial do Espírito Santo. Não fosse sua morte prematura, com apenas 50 anos de idade, e Van Der Kamp teria se tornado um grande industrial no Espírito Santo. Sua morte interrompeu o sonho de crescimento da fabrica, que foi vendida em 1902, reabrindo em Belo Horizonte com o nome de Renânia. Contemporâneo e conterrâneo de Heinrich Meyerfreund, nâo teve a mesma sorte deste que, em 1929, iniciou a fabricação de balas e bombons e, mais tarde, com amigos alemães, ampliou a pequena fábrica que se transformou na famosa marca Garoto, conhecida no Brasil inteiro e no exterior. A primeira fábrica de cerveja da Região sul do Espírito Santo foi inaugurada em 1º de novembro de 1912, em Cachoeiro de Itapemirim, pelo italiano Ângelo Maria Mignone, um alfaiate proprietário da Alfaiataria Internacional, em um moderno prédio, com todas as instalações e condições de higiene e limpeza - coisa rara naquela época. A marca era Tripolitana, que alguns vovôs e vovós cachoeirenses ainda podem se lembrar. Lembre-se desses pioneiros da próxima vez que você se deliciar com um copo de cerveja num happy hour. Tente tirar o máximo de prazer desse ritual que já é tão brasileiro quanto alemão, austríaco, italiano ou qualquer origem que se possa creditar. Não beba simplesmente para matar a sede, tente viajar naquelas borbulhas que formam a famosa espuma e deixe-se levar pelo prazer de degustar uma bebida que, se consumida com moderação, é uma das mais saborosas e saudáveis inventadas pelo homem.
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