A precursora das cervejas bock dupla era fabricada por monges para sustentá-los durante os quarenta dias de abstinência já que não podiam ingerir alimentos sólidos ou para comemorar o aniversário de sua antiga inspiração, dia de São Francisco de Paula, em 2 de abril.
Ninguém sabe ao certo que desculpa os monges criaram para a fabricação do que chamaram de cerveja do Santo Pai, em latim, Sanct Pater que passado para a língua alemã e corrupções posteriores dos dialetos locais levaram ao "Salvator", conhecido. Mas se sabe que a fabricação foi a atividade principal do monastério desde 1634.
Após 1700 a cidade de Munich havia se expandido para mais perto do monastério e alguns barris da cerveja festiva dos monges chegaram, inevitavelmente, às tavernas locais. A cidade já tinha conhecimento sobre a excelente qualidade da cerveja; canecas dela eram entregues, como forma de sustento, a todos os pobres recolhidos nas portas do monastério, esta pode ser a origem do termo "pão líquido".
Até a industrialização da cerveja, promovida por melhorias tecnológicas do século XIX, muito do conhecimento científico sobre a cerveja residiu nos monastérios, cujos segredos eram melhores aprendidos e não pressionados comercialmente.
Os fabricantes de cervejas comerciais tentaram fazer os monges parar de vender sua cerveja porque a população havia crescido e os monges duplicaram a sua produção. No auge deste raivoso comércio, entra em cena o conquistador Napoleão Bonaparte e involuntariamente resolve a disputa entre monges e fabricantes de cerveja da cidade. Fechou todos os monastérios e requisitou suas terras que foram vendidas. Fechada a cervejaria, a receita da cerveja caiu nas mãos comerciais do maior fabricante de cerveja de Munich e o primeiro a utilizar o vapor para aquecer suas caldeiras, Franz xaver Zacherl, que mantendo as tradições dos monges, rapidamente cerveja e cervejeiro cresceram fortes. Os rivais de Zacherl procuraram rapidamente aproveitar a popularidade da "Salvator" criando suas próprias versões e utilizando o sufixo "ator" aos seus nomes, tais como: Celebrator, Optimator, etc.
Hoje, em dia, a Paulaner Brauhaus é a única cervejaria no mundo licenciada para fabricar a cerveja do Salvador (Salvator Beer).
O Brasil também já teve a sua "Salvator", a "Cerveja Abolicionista" com rótulo homenageando Joaquim Nabuco. Tudo indica ser esta cerveja, de origem pernambucana, da época das campanhas da abolição da escravidão. Mas, infelizmente não consegui maiores detalhes. Recorri à Fundação Joaquim Nabuco, proprietária, em seu acervo, do rótulo e por resposta o que recebi foi a afirmativa: "de ser o rótulo original e peça autêntica, talvez única no Brasil e quiçá no mundo".