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A CERVEJA E O SECTOR CERVEJEIRO PORTUGUÊS RETIRADO DO CÓDIGO DE AUTO-REGULAÇÃO DOS CERVEJEIROS PORTUGUESES PARA A COMUNICAÇÃO COMERCIAL
A Cerveja é uma bebida fermentada de baixo teor alcoólico, de origem agrícola, elaborada a partir de ingredientes naturais tais como água, cevada e outros cereais, a que se junta o lúpulo. A produção de cerveja em Portugal possui tradições, sendo que a primeira referência histórica a uma fábrica situa-a no Campo Grande à data de 1689. Mas é no séc. XIX, mais precisamente em 1819,que são publicadas as "Notas Introductivas ao conhecimento da Cerveja e Genebra", onde se recomendava o uso da cerveja da Real Fábrica. No final desse século, existiam já várias unidades de produção de cerveja, quer nas ilhas, como a Fábrica de Cervejas e Refrigerantes João Melo Abreu nos Açores, ou a Fábrica Atlântica da família inglesa Miles, na Madeira, quer no Norte de Portugal onde existiam numerosas unidades de produção de cerveja e refrigerantes que, por fusão em 1890, originaram a CUFP - Companhia União Fabril Portuense. No final do séc. XIX era possível identificar dez fábricas de cerveja no continente, concentradas sobretudo nas duas grandes cidades de Lisboa e Porto. Em 1930, o mercado português assistiu ao aparecimento de mais fábricas de cerveja: a Leão, na Madeira, a da Companhia de Cervejas de Coimbra, e a da Portugália. A década de 30, pela aguda crise econômica, originou a fusão numa sociedade de quatro destas fábricas: a Portugália, Estrela, Jansen e Coimbra. Em 1934 nascia a Sociedade Central de Cervejas (SCC), com o objectivo de renovar a indústria. Um ano mais tarde, a CUFP chega a acordo com a SCC para o desenvolvimento de um intercâmbio de informação técnica e de o estabelecimento de um código de ética comercial. No mesmo ano, a Madeira assiste à fusão das duas companhias cervejeiras sob a designação de Empresa de Cerveja da Madeira, que tomou uma posição de 80% na Melo Abreu, dos Açores. Em 1935 Portugal contava com quatro empresas, num total de seis fábricas e uma malteria, a da Portugália. A modernização da Indústria Cervejeira, enquanto projecto, só teve início após a Segunda Guerra Mundial. Em 1950 seria o ano da CUFP, seguida pela completa renovação das fábricas da SCC. Em 1961, Portugal assiste à primeira campanha de publicidade pensada à escala nacional. Dois anos antes, em 1959, a CUFP e a SCC criaram um Gabinete de Exportação com resultados notáveis, provando que o esforço conjunto traria benefícios. Eram, assim, criadas companhias cervejeiras em Angola, Moçambique e Guiné. Resultado das boas vendas, Vialonga acolhia um moderno complexo que em 1968 substituiria duas fábricas da SCC. A CUFP transferiria a sua fábrica em 1964 para uma moderna instalação em Leça do Balio. A década de 70, com o progressivo abandono da Lei do Condicionamento Industrial, assistiria ao nascimento de trê novas companhias cervejeiras, a CERGAL, a COPEJA e a IMPERIAL. A Revolução de 1974 nacionalizou as sete companhias em Dezembro de 1977, estas foram fundidas em duas empresas públicas: a CENTRALCER - Central de Cervejas, sedeada em Lisboa e que incluia a ex-SCC e a CERGAL, e a UNICER - União Cervejeira, com sede no Porto, agrupando a ex-CUFP, a COPEJA e a IMPERIAL. Na Empresa de Cervejas da Madeira, ECM, só o capital português foi nacionalizado, ficando assim parcialmente nacionalizada. Nos Açores, o Governo Regional adquiria 20% de acções privadas, continuando os restantes 80% a pertencerem à ECM. Os meses de Maio e Novembro de 1990 marcam a privatização da UNICER e CENTRALCER,respectivamente, por alteração da Constituição Portuguesa, que proibia até então a privatização de empresas públicas. Em 1990 o Governo Regional dos Açores vende a sua quota de 20% à ECM, ficando a Fábrica de Cervejas e Refrigerantes Melo Abreu totalmente nas mãos da ECM. Em 2001 a CEREURO, empresa detida em 80% pela Sumolis, inicia a comercialização de cerveja no mercado nacional seguindo-se a empresa DrinkIn em 2002. Hoje em dia, a produção de cerveja em Portugal encontra-se distribuída de Norte a Sul (unidades de produção em Leça do Balio, Santarém, Vialonga e Loulé), Madeira (Funchal), Açores (Ponta Delgada) e ainda uma unidade de enchimento em Pombal. O sector cervejeiro nacional é tecnologicamente evoluído, dotado das melhores técnicas disponíveis, possui a tradição de formar os seus mestres-cervejeiros nas melhores universidades europeias, e produz uma cerveja de qualidade em termos mundiais exportando cerca de 18 % da sua produção. Em 2005, Portugal produziu 744 milhões de litros de cerveja tendo para isso consumido cerca de 90 mil toneladas de malte obtidas a partir de 110 mil toneladas de cevada. Em termos econômicos o sector cervejeiro vale cerca de 1,5 % do PIB português, equivalente a quase 1 700 milhões de euros. Pela venda da cerveja, o sector paga ao Estado, para além do IVA à sua taxa máxima (21%), um imposto especial que totalizou, em receita para o Estado no ano de 2005 mais de 84 milhões de Euros. Em Portugal, o consumo de cerveja per capita tem diminuído, ao contrário do que acontece com outras bebidas alcoólicas. De 1992 a 2002 o consumo de cerveja em Portugal diminuiu 10,2 %. A APCV - Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja - a associação representativa do sector cervejeiro nacional e possui como principais objectivos, garantir que o sector possa ser competitivo e inovador e promover a responsabilidade do sector em relação ao Ambiente, Segurança Alimentar, Saúde e Nutrição, Comunicação Comercial e Segurança Rodoviária.
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