CERVEJARIA CANOINHENSE

Para se conhecer a história de uma das cervejarias mais antigas em funcionamento é necessário se falar, pelo menos, sobre duas cervejarias e entrelaçar a história delas: a Cervejaria Canoinhense, de Canoinhas – SC, propriamente dita e a Cervejaria Hanseática, da estrada Itapocu em Hansa-Humboldt, atual Corupá – SC.

A Cervejaria Canoinhense foi fundada em 1900 pelo cervejeiro alemão Sr. Pedro Verma (Peter Werner?) e pelo Sr. Roberto Bachmann, em Santa Cruz de Canoinhas (depois Ouro Verde e atual Canoinhas – SC).


Em 1902 foi construída, com um pequeno capital a Cervejaria Hanseática, a primeira cervejaria do cervejeiro João Otto W. Löffeland, na estrada Itapocu em Hansa-Humboldt, atual Corupá – SC. Otto, procedente da Alemanha desembarcou em São Francisco do Sul - SC, em 11 de dezembro de 1897, acompanhado de sua família fixou-se em Hansa-Humboldt, atual Corupá - SC. Casou-se com Ema Ida Witt em 14 de setembro de 1902 e nessa data por um cochilo cartorário seu sobrenome foi alterado para Löffler.
A cervejaria Canoinhense, de Santa Cruz de Canoinhas, em 1910 foi comprada pelo Sr. Luiz Kaesemodel, mas a mesma ficou parada de 1912 a 1916 devido a Guerra do Contestado que aconteceu na região.

Em abril de 1924, Otto Löffler (ex-Löffeland) instala-se em Ouro Verde (ex-Santa Cruz de Canoinhas e atual Canoinhas) e adquire a Cervejaria Canoinhense, de Luiz Kaesemodel que se muda para São Bento e abre outra cervejaria, passando a produzir uma cerveja escura de alta fermentação de marca “Mocinha”, o chope claro de baixa fermentação marca "Cristal" e a cerveja “Sport”.

Passados três anos, em 1927, a Cervejaria Canoinhense, fábrica de cerveja de Otto Löffler, em Ouro Verde (ex-Santa Cruz de Canoinhas e atual Canoinhas) rebatiza uma de suas receitas, a "Cristal", como "Jahú", a pedido do prefeito que queria uma cerveja para homenagear João Ribeiro de Barros, que, a bordo do hidroavião Jahú, havia acabado de fazer a travessia do Oceano Atlântico, saindo de Gênova e fazendo sua parada final em São Paulo, a algumas centenas de quilômetros da pequena cidade do Noroeste de Santa Catarina.

Em 1930, a Cervejaria Canoinhense, de Otto Löffler, em Ouro Verde (ex Santa-Cruz de Canoinhas e atual Canoinhas) é comprada por seu filho Wilhelm (Guilherme=Willy) Loeffler, assumindo o nome de Fábrica de Cerveja Guilherme Loeffler que também rebatiza a marca da cerveja “Sport” para “Nó de Pinho”.

Em 1935 Guilherme Loeffler vende a cervejaria, para seu irmão Rupprecht que altera seu nome para Cervejaria Canoinhense de Ruprecht Loeffler e passa a administrá-la.

Em 1970 Rupprecht Loeffler, cancela o registro da cervejaria e oficialmente encerra suas atividades, passando a utilizar como endereço da fábrica o seu endereço de residência na rua Eugenio de Souza s/nº em vez da Rua 3 de maio 154. Passa a engarrafar bebidas produzidas por outros utilizando rótulos próprios, inclusive álcool, continua a fabricar refrigerantes e refrescos e a fabricar esporadicamente cerveja.






Rupprecht Loeffler, em 1984, registra de novo a cervejaria, agora como Canoinhense e como cervejaria artesanal, auxiliado por um político de Brasília que havia provado a cerveja clandestina e gostado.


Sob a direção do atual dono e mestre cervejeiro, Rupprecht Loeffler, a Cervejaria Canoinhense produz cerveja e chope artesanais baseados em uma receita que está na família há cinco gerações, seguindo a lei de pureza alemã (Reinheitsgebot). Os tonéis de carvalho nos quais as cervejas maturam foram trazidos da Alemanha e têm mais de um século. A produção é de cerca de 1.500 garrafas/mês. As principais marcas são a escura "Nó-de-Pinho" e as claras "Jahu" e "Mocinha". Todas possuem porcentagem alcoólica em torno de 3%. Junto à fábrica está localizado o bar, tão antigo quanto a cervejaria, decorado com animais empalhados.